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Testemunho de um Peregrino de Emaús

Em fevereiro de 2010, durante um retiro de oito dias de silêncio, caminhei junto com os dois discípulos de Emaús. Ou, como nos revela os atuais estudos, com o discípulo e com a discípula de Emaús (v. 13). Eles representavam uma comunidade, pois para um semita (judeu), a reunião de duas ou mais pessoas já constitui uma experiência comunitária. Contemplei então a primeira igreja nômade naqueles dois discípulos, o povo de Deus que caminha em direção ao Reino.

Porém, eles iam de Jerusalém para Emaús (abandonavam a continuação da Missão), tristes e desconsolados com a morte de seu mestre Jesus de Nazaré (v. 17). Não compreendiam o que tinha acontecido com aquele que parecia ser o Messias-Salvador. Pareciam lançados a sorte, mas Emanuel é um Deus que nunca deixa seu povo caminhar só, por isso Jesus se juntou a eles e a mim na caminhada dessa primeira comunidade cristã. Eles não perceberam quem era aquele que agora caminhava junto conosco (v. 16), mas nossos corações pareciam senti-lo com intensidade (v. 32). Senti toda aquela experiência mística vivificadora do que, para mim, representa a primeira igreja, a primeira comunidade cristã e a primeira experiência mística-comunitária de Jesus ressuscitado [1].

Eles interrogam o forasteiro (v. 18), dizendo que Jesus, o nazareno (v. 19) é aquele que realizou o Reino de Deus, e que por isso não compreendiam o significado da sua morte, não entendiam o que havia acontecido. Senti toda aquela angustia dos dois discípulos e percebi que apenas refletíamos intelectualmente sobre os acontecimentos. Havíamos deixado de lado o maior de todos os ensinamentos de Jesus, o amor. Por causa disso, somos imediatamente repreendidos por Jesus: “Insensatos e lentos de coração” (v. 25).

O amor não só manteria Jesus Cristo vivo em nossos corações, como também nos faria olhar a realidade daquela experiência mística de outra maneira. Uma experiência que só se realiza no terceiro dia (v. 21b), como ele mesmo já havia narrado e da maneira como os profetas haviam anunciado (cf. Is 52,13-53,12).

Os dois discípulos de Emaús.

Ainda desconsolados, mas já com os corações entreabertos, não permitiam que o forasteiro os consolassem. Tinham mergulhado na escuridão (v. 28-29a). Tentei falar-lhes sobre o que eu começava a perceber, mas pareciam não me ouvir. Porém, Jesus que havia permanecido fielmente junto conosco (v. 29b), foi capaz de toca-lhes o coração através da comunhão eucarística, simbolizada no tomar (encarnação: assumir o pão como corpo), abençoar (berakah do Filho) e partir (morte-paixão) o pão (v. 30b). Experiência mística vivificadora e contemplativa que inundou nossos corações, nos fazendo perceber que deveríamos retornar para Jerusalém, para dar continuidade a Missão inaugurada por Jesus. Nesse momento, fomos arrebatados pela realidade crua do mundo e perdemos o Senhor de nossas vistas (v. 31). Por um breve momento, pensamos que ele poderia ter nos abandonado, mas rapidamente um deles tocou o meu ombro e disse: “Não te preocupes, pois o Senhor sempre estará conosco na eucaristia e na leitura da Sagrada Escritura” (v. 32). Nos percebemos então, apóstolos do ressuscitado.

Impelidos pelo Espírito, voltamos a Jerusalém para dar testemunho daquela experiência mística-comunitária, daquela experiência de fé que tivemos no caminho com a leitura das Escrituras e com a partilha do pão (v. 33-35).

Ao final dessa contemplação fica para mim uma mensagem: Jesus está em tudo e tudo conduz a Jesus. Porém, para vê-lo devemos olhar com o coração, com os “óculos da fé”. Nas palavras do evangelho apócrifo de Tomé: “Parta um pedaço de madeira e eu estarei lá. Levante uma pedra e me encontrareis.” (v. 77c).

Mesmo em tempo de terríveis catástrofes, como a que estamos enfrentando em decorrência das fortes chuvas e dos desabamentos, podemos encontrar Jesus naquelas pessoas que estão doando não só alimentos e roupas, mas também o próprio suor e até mesmo a própria vida para ajudar o outro.

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[1] A narrativa dos dois discípulos de Emaús, encontra-se no Evangelho segundo S. Lucas (Lc 24,13-35) antes da experiência mística-comunitária de seus discípulos (cf. Lc 24,36ss).

* Alexandre M. Rangel é estudante de Teologia da PUC-Rio, graduado em Processamento de Dados e especialista em Redes.

1 comment to Testemunho de um Peregrino de Emaús

  • Marcelo Rubens

    Rangel,

    Parabéns pelo site! Eu viajei no tempo com a foto do nosso Oásis. Oro pela sua vocação. Conte conosco e força na caminhada! Nossa Ilha ainda precisa do Oásis, né?

    Paz e bem,
    Marcelo Rubens

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