Se armar para uma guerra contra o plágio virtual ou mudar de estratégia?

A matéria “Na era da internet, professores se armam contra plágio feito por alunos”[1], do jornal O Globo, publicada em 12/03/2011 as 20:27h por Marcelle Ribeiro, mostra uma das muitas faces do uso da internet no processo de aprendizagem e de avaliação dos alunos.

Penso que também deveríamos considerar as outras faces desse mesmo caso. Não pelo negativo, mas pelo positivo. “Colar” sempre foi uma atividade presente no processo de aprendizagem. Como estudante, eu também já fui um praticante dessa atividade e devo dizer que nem sempre ela foi vazia. Em alguns casos essa prática também me proporcionou novos saberes. O que acontece hoje é que podemos “colar” sem precisar “colar”. Posso pegar um trabalho pronto, imprimir, encapar e entregar. E isso está acontecendo até mesmo com teses de doutorado, onde capítulos inteiros são plagiados.

O problema não está somente na facilidade que as novas tecnologias da informação e da comunicação (TICs) trouxeram, mas na quantidade, diversidade e transformação contínua dos saberes que hoje vivemos. Por exemplo, saberíamos dizer quantas teses de doutorado um departamento da PUC-Rio produz por ano? Quantas teses toda a PUC-Rio produz nas suas diversas áreas? Quantos diplomas de graduação são emitidos por ano pela PUC-Rio? Com certeza muitos.

Não somos mais capazes de assimilar todas as novidades acadêmicas que são produzidas por essas pessoas, nem mesmo pelo departamento da nossa área de atuação. Logo, não é mais possível pensar a formação e os sistemas de avaliação de maneira estática e linear em tempos de dinâmica evolução dos saberes e de quarta dimensão, como atesta a mecânica quântica[2].

Assim sendo, penso que não devemos criar novos mecanismos para impedir, coibir ou punir aquelas pessoas que realizam plágio de trabalhos. Mas sim, mudar a maneira com que nos relacionamos com os novos processos aprendizagem e com os novos saberes. O professor não é mais alguém que despeja informação e conhecimento sobre seus alunos, mas é alguém que os motiva a buscar a informação, que os orienta na construção do conhecimento e que os ajuda na organização dos novos saberes. Ou seja, ele é um “animador”, alguém que desperta nos alunos o desejo de aprender e de pensar.

A escola e a universidade não são mais os únicos detentores dos saberes, que agora podem ser rapidamente acessados por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Por isso, o mais importante hoje não é o que se “sabe”, mas como “saber” e como aplicar isso às reais necessidades da minha vida cotidiana, para que eu seja capaz de contribuir para construção de novas “bases de saberes”.

Por isso, hoje não podemos mais avaliar o conhecimento de um aluno da mesma maneira que fazíamos há 40 anos. Então, a brincadeira não é se “armar contra o plágio feito pelos alunos”, mas pensar novas formas de avaliação, mais condizentes com a nova dinâmica de aprendizagem. Pois nessa nova dinâmica, interativa, criativa e colaborativa, a inteligência não é mais propriedade privada de um único suporte (indivíduo, livro), mas uma “inteligência coletiva”[3] e pública, uma inteligência da navegação.

[1] http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2011/03/12/na-era-da-internet-professores-se-armam-contra-plagio-feito-por-alunos-924000495.asp – visitada em 14/03/2011

[2] http://www.nature.com/nature/journal/v443/n7111/full/nature05136.html / http://www.gnosisonline.org/ciencia-gnostica/cientistas-a-ponto-de-dominar-a-quarta-dimensao/ – visitadas em 14/03/2011

[3] LÉVY, Pierre. Inteligência Coletiva, Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2003.

* Alexandre M. Rangel é estudante de Teologia e do domínio adicional Tecnologias e Mídias Digitais da PUC-Rio, graduado em Processamento de Dados e especialista em Redes.

1 comment to Se armar para uma guerra contra o plágio virtual ou mudar de estratégia?

  • Rangel, geralmente quando comentamos na Física da 4º dimensão esse assunto vem junto do tópico Relatividade, pois até hoje relatividade e mecânica quântica não marcaram casamento.

    Mecânica quântica tem haver com o linque da nature (fonte muito bem confiavel, assim como a science ou PRL), mas o outros é horrivel, ele fala até uma tradução ruim de emaranhamento para entrelaçamento. E atenção o emareamento é um dos mistérios atuais da Física moderna, no setor da quântica, eu trabalhei 5 anos em ótica quântica eles só estudam isso…

    Sobre teleportação, é necessário o emaranhaento para isso acontecer, em 2009 aconteceu o primeiro teleporte de um atomo de hidrogenio. (perceba que eu não uso o termo star trek, teletransporte, pois é para não causar muita esperança)

    valeu, bom artigo, mas acho que é ilegal fazer ctrl+C em dissertações ou teses, em trabaçhos escolares tranquilo

    Valeu Cara!

    Diego Lemelle

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